LEIA TAMBÉM

A história dos bebês, filhos de militantes contrários ao governo militar, que foram retirados de seus pais e mães e entregues para ser adotados por outras famílias foi relembrada em audiência pública da Comissão de Direitos Humanos da Câmara nesta terça-feira (6).

Vinicius Loures/Câmara dos Deputados Eduardo Reina é autor de "Cativeiro sem Fim"

O jornalista Eduardo Reina escreveu um livro sobre um assunto, que até agora era mais conhecido nos casos das ditaduras militares de países vizinhos, especialmente a Argentina e Chile. Reina localizou e entrevistou 19 filhos de desaparecidos políticos brasileiros e que foram entregues para serem adotados por outras famílias.

O título do livro é Cativeiro sem Fim, porque alguns não descobriram até hoje quem são os verdadeiros pais e os que conseguiram ainda tentam reconstruir suas vidas, conforme ele relatou à Comissão de Direitos Humanos e Minorias.

Eduardo Reina destacou a importância do tema para que o cidadão brasileiro tenha conhecimento do que aconteceu na história recente do País para que isso não mais se repita. “Essas vítimas, 19 vítimas de sequestro, não sabem quem elas são, não têm identidade, não sabem quem são os pais, foram ocultadas e invisibilizadas”.

Para a procuradora regional da República Eugênia Augusta Gonzaga, ex-presidente da Comissão sobre Mortos e Desaparecidos, o livro de Eduardo Reina dá visibilidade aos fatos praticados na ditadura. “Fatos terríveis que mostram que a ditadura brasileira foi sim muito violenta”, afirmou.

continua depois da publicidade

continue lendo

Vinicius Loures/Câmara dos Deputados Helder Salomão considerou a contribuição de Eduardo Reina essencial

O presidente da comissão, deputado Helder Salomão (PT-ES), considerou a contribuição de Eduardo Reina essencial para a atual reflexão sobre o problema. “Porque muitas dúvidas ainda pairam, muitas situações não foram elucidadas e as famílias ainda sofrem a dor da perda dos seus entes queridos”.

Comissão da Verdade
A audiência também foi marcada por manifestações de solidariedade à procuradora Eugênia Augusta Gonzaga. Ela e outros membros da Comissão sobre Mortos e Desaparecidos foram demitidos pelo governo Bolsonaro e substituídos por outros representantes.

O deputado Eli Borges considerou as críticas à substituição injustas. “Quem ficou 14 no governo deveria ter trazido muito mais resultado nesta questão”, criticou. “Defendo que a história seja resgatada e que toda essa história escondida debaixo do tapete venha à tona. Quer seja de direita, quer seja de esquerda”, completou.